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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Ser mãe é… #55 – Lidar com a nova dinâmica familiar e a ausência do pai

O último mês não foi muito fácil no que toca à logística e organização familiar. A ausência do pai quatro dias durante a semana, veio baralhar o sistema de toda a gente, mas principalmente do Francisco que não percebe porque raio tem o pai de ir trabalhar para fora todas as semanas.
Foi e está a ser um processo de melhoria. Se por um lado associava a agressividade e irritabilidade do Francisco apenas às noites mal dormidas ou “mau feitio”, fui-me apercebendo, que na verdade ele sente saudades e falta do pai e está pura e simplesmente a manifestar isso. E se durante um tempo tentei distraí-lo e quase ignorar os sentimentos dele (e meus também), a páginas tantas, resolvi falar disso abertamente e com toda a sinceridade do mundo.
Ambos nos estamos a ressentir com a ausência do pai, seja pelo acumular de tarefas, o stress que isso gera e consequentemente o pouco nenhum tempo de qualidade que resta, veio influenciar a forma como eu própria lidava com o Francisco no dia-a-dia. Sem ter consciência disso transmiti-lhe todo este frenesim e depois como devem calcular é uma pescadinha de rabo na boca, mãe nervosa e irritada = filho nervoso, irritado e pouco colaborativo.
Depois há um momento em que te cai a ficha e percebes que estás a fazer tudo errado, que não tens de te armar em forte e colocar uma capa de insensível, como se nada se passasse. Percebes que és a mãe, mas também tu tens direito a não saber bem lidar com toda esta nova realidade, mas por outro lado isso não te dá legitimidade para “despachares” o teu filho, tendo menos paciência para ele e não o ouvindo, com todo o teu corpo. É teu dever enquanto mãe ouvires-te a ti própria, encontrar o equilíbrio dentro da mudança, permitires sentir insegurança, para depois conseguires estar em pleno para o teu filho no pouco tempo que tenhas, a criar vinculo, a alimentar a relação, a serem felizes.
Alguém me dizia no outro dia: “Podes ter só dez minutos por dia, para estar a brincar com o teu filho, mas ele não precisa saber que são só dez minutos. Se esse tempo for bem aproveitado, se estiveres plenamente lá, ele vai sentir isso e vai ser suficiente para o acalmar, para ele perceber que independentemente de tudo a mãe está ali sempre para ele!”
Palavras sábias estas... Apesar de todas as mudanças, de todas as variações e agitações que possam existir na nossa vida, há que guardar este lugar sagrado da relação mãe/filho e transmitir esta presença e amor incondicional sempre!


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