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terça-feira, 8 de novembro de 2016

Ora e então a Maratona?

Dois dias depois e já com os sentimentos um pouco mais controlados, sinto-me em condições de escrever um pouco sobre isto que foi fazer a Maratona.
Este não é um blog de desporto, nem pouco mais ou menos, sou uma amadora, mas foi na corrida que encontrei uma forma de me superar e de ganhar confiança em mim própria. E este blog fala muito sobre isso: sobre ter, recuperar, ganhar ou reforçar a confiança em nós.
Quando em março deste ano corri a minha primeira Meia Maratona, ficou o bichinho de correr uma Maratona. Nunca pensei que fosse possível ser sete meses depois. Nunca.
Depois da Meia Maratona em março fiquei lesionada. Quando em junho comecei os treinos para a Maratona, o plano na primeira semana era fazer cinco, sete e dez quilómetros. Lembro-me como se fosse hoje a tortura que foi fazer aqueles dez quilómetros, ainda com algumas dores no joelho e sem fôlego, tendo de fazer parte do caminho a andar.
Mas não desisti, continuei a treinar todas as semanas, mesmo quando o corpo doía e a cabeça dizia para não ir. Ajudou ter o grupo de corrida, companhia nos treinos e a orientação do super coach Antônio Nascimento.
Em agosto um salto num treino funcional, provocou nova lesão e tive o mês de setembro todo parada, a fazer fisioterapia. Retomei a corrida no dia da Meia Maratona de Lisboa, a dois de outubro, para acompanhar e apoiar os meus companheiros do grupo de corrida.
A partir daí foi correr atrás do prejuízo, tentar recuperar o tempo perdido e continuar a lutar para fazer a Maratona.
Estava nervosa, não sabia em que condições ia terminar a prova, mas sabia que ia lá e nem que fosse de gatas, ia chegar ao fim.
E no domingo, antes de começarmos a correr o Antônio disse-me: “Eu vou fazer a prova ao teu lado. Não pares nos abastecimentos. Eu vou-te buscar água, fruta o que quiseres, tu continua, ao teu ritmo e no meio da estrada. Eu depois apanho-te.” E eu assim fiz. Foram quatro horas, vinte cinco minutos e cinquenta e três segundos sempre a correr, sem parar.


Depois já mesmo no fim da subida a caminho da meta quase me desfazia quando percebi que o Pedro depois de completar a prova, voltou para trás para cruzar a meta comigo. Corremos os últimos metros juntos, de mão dada e a foto mostra bem o misto de sofrimento e emoção de ambos!


Sou MARATONISTA CARAGO! E não caibo em mim de orgulho, felicidade e alegria!

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