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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Relato da vida de uma mãe pela manhã

Acordo. Vou correr. As pernas vão-se abaixo a ¾ do caminho e demoro mais tempo do que previa. Chego a casa reparo na quantidade de coisas que ainda tenho para fazer. Estou muito, mas muito atrasada. Enquanto a água do chá aquece, preparo o pequeno-almoço e a marmita para o almoço. A seguir passo uma blusa para mim e umas calças para o miúdo (tiradas do monte da roupa que está para passar há mais de uma semana). Tomo banho, visto-me, seco o cabelo. Preparo a mochila do miúdo para a creche, reparo que as fraldas acabaram e que me esqueci de comprar mais no fim de semana (o que pensará a educadora?). O puto está a dormir que nem uma pedra e é preciso arrancá-lo a ferros da cama. Lavo-lhe a cara, mudo-lhe a fralda, começo a vesti-lo e reparo que não tem uma única t-shirt lavada que lhe sirva. As t-shirts do ano passado não lhe servem, as duas que lhe ofereceram na Páscoa ainda estão grandes e a única que lhe servia vestiu-a e sujou-a ontem.
Mando o miúdo para a creche com a mochila sem as fraldas que devia, com uma t-shirt demasiado grande para o tamanho dele, mas ele está feliz e sorri e entra na sala contente por ir aprender e passar mais um dia com os amiguinhos. Não parece nada incomodado com as falhas da mãe.
A mãe, eu, vai trabalhar com peso na consciência porque devia ter prevenido tudo isto, pensado em tudo com mais antecedência, questiona-se como é que há mães (aparentemente) perfeitas que nunca falham com nada, cujos filhos andam sempre aprumadinhos e a rigor.
Gostava de conseguir organizar-me no caos que esta casa se torna às vezes, mas realmente há dias que não consigo e ainda há malta que me pergunte: “para quando o segundo?” E eu só penso se nem com um me consigo organizar, lá tenho condições para dois?!

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