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terça-feira, 7 de abril de 2015

Numa sociedade de sonho

Num mundo de sonho os putos nunca ficavam doentes. Estavam sempre bem, sem febres, sem dores de barriga, sem nada dessas coisas. Mas, na impossibilidade de assim ser, numa sociedade de sonho uma mãe podia faltar ao trabalho para cuidar do seu filho sem culpas, sem medo de ser prejudicada por isso. Porque por muito que se fale que a gestão mudou e que o foco é nos seus recursos humanos,  na hora da verdade, a coisa não é bem assim.
Ou a mãe tem a sorte de ter uma grande rede de apoio, que lhe permita dedicar-se a 1000% ao trabalho, ignorar a culpa que sente ao deixar o miúdo doente com uma empregada, uma avó, um tio, uma babysitter ou no caso de não ter essa rede de apoio está fodida. E está mesmo.
Na hora das promoções e/ou dos aumentos ela será a primeira a quem esse será negado, porque irão argumentar que ela não prestou a dedicação suficiente à empresa, mesmo que ela possa ser mais competente que o colega do lado. Não interessa. É mãe e por conseguinte tem menos disponibilidade. E depois pior do que a gestão das empresas, são os próprios colegas do lado, que andam sempre à procura da fragilidade do outro para ganhar vantagem competitiva disso, são as bocas que se mandam, são os comentários desagradáveis, é quase o bullying profissional a que as mulheres mães estão sujeitas todos os dias. Porque têm de sair às seis para ir buscar os miúdos, porque têm de sair mais cedo para ir com eles à vacina, ao médico ou porque têm de faltar para ficar em casa com eles doentes.
Infelizmente os putos ficam doentes e acredito que nenhuma mãe tenha gozo algum em ficar com o filho em casa numa situação dessas. É por isso que cada vez é mais dificil ser-se mãe e profissional.
Pode ser-se mãe e trabalhar-se, agora ser-se mãe e construir uma carreira, tenho muitas dúvidas. Principalmente para mães que, como eu, não têm uma rede de apoio para lhes segurar as pontas.
Num mundo de sonho, num país de sonho, numa empresa de sonho realmente a igualdade existia, a solidariedade existia, mas ainda estamos muito longe disso. Oh se estamos.

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