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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Tempo de tentar balancear tudo

Uma coisa que me apercebi nestas férias é que tenho imensa dificuldade em relaxar. Ao fim de alguns dias lá consegui, mas inicialmente estava sempre num constante frenesim nada benéfico em tempo de férias.
Até que numa bela manhã de praia, em que me deitei dois segundos na toalha e logo a seguir me levantei a pensar que não o podia fazer (apesar do Francisco nesse momento estar com o pai a brincar à beira-mar), tive uma conversa comigo própria que isto não podia continuar assim.
Percebi naqueles dez minutos que se seguiram, que a maioria das vezes não me permito relaxar, ter tempo para mim, para as minhas amigas. Que tenho estado demasiado focada em ser mãe, em fazer bem o meu trabalho, em ser uma boa esposa e uma boa dona de casa e me tenho esquecido que também sou gente e preciso de momentos para mim e que não é por isso que sou pior mãe, esposa ou profissional. Que não tenho de me sentir culpada por pedir ajuda, por pedir ao pai para cuidar do filho enquanto vou beber um café na esplanada e ler um livro, ou deixar o miúdo mais uma hora na creche para poder ir à manicure ou a uma aula de yoga, ou deixar o miúdo uma noite com o pai para poder ir jantar com as minhas amigas. Pelo contrário, os momentos de relaxe e descontração permitem alimentar a individualidade e ganhar fôlego para ser mais e melhor.
A verdade é que somos educadas, e a própria sociedade espera e exige, sermos a mãe perfeita, a mulher perfeita, a profissional perfeita, a esposa perfeita, a dona de casa perfeita. E essa pressão geral a que somos sujeitas leva-nos a andar sempre a correr para tentar ser super mulheres. Mas não temos de o ser, nem de nos sentirmos culpadas por não o conseguirmos ser.
Claro que cada mulher é uma mulher e nem todas temos as mesmas necessidades, mas uma coisa é certa, a maternidade, tal como o casamento ou qualquer outro papel que assumamos, não nos pode, nem deve tirar a identidade e individualidade. Se não, às tantas deixamos de saber quem somos e andamos aqui a ser apenas aquilo que os outros esperam.
E agora com o regresso de férias, é tempo de balancear tudo: filho, marido, amigos, casa e eu própria. Relembrar-me daquilo que gosto e quero fazer e dedicar tempo também a isso: ler, fazer exercício, estar com as amigas, comprar uns trapinhos, ir ao cabeleireiro e inscrever-me naquele curso de escrita criativa, por exemplo.
Resumindo, a grande lição é que dedicar tempo a mim própria, só depende mesmo de mim e da minha predisposição para isso. Das próprias prioridades que estabeleço e que não é culpa, nem desculpa de ninguém não o conseguir fazer.

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