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segunda-feira, 7 de julho de 2014

Isto não vai ser pêra doce

O Francisco está a começar a testar os limites, a fazer birras para conseguir aquilo que quer e só hoje consigo escrever sobre o que se passou na sexta à noite. Passei o fim de semana todo a digerir a coisa, a mentalizar-me que estas coisas fazem parte e que não é por perder as estribeiras uma vez que sou uma pior mãe.
Sexta-feira tínhamos uma festa, (eu e o pai) e queria ter o Francisco despachado e já a dormir quando o tio chegasse para ficar com ele. Acontece que o sacanita deve ter percebido a minha ansiedade e decidiu testar os limites e levar a minha paciência até à última.
Começou por fazer birra para sentar na cadeira para jantar, depois continuou a fita para comer a sopa, berreiro de meia noite, parecia que o estava a esfolar. Sopa por todo o lado incluindo no meu cabelo, que tinha ido ao cabeleireiro arranjar. No final do jantar estava toda desgrenhada, com sopa por todo o lado, nem parecia que tinha ido ao cabeleireiro. Assim que desisti de tentar dar-lhe o jantar e pousei a taça e a colher da sopa, parou o berreiro. Aquele pequeno fedelho estava mesmo a chorar apenas porque não queria comer. Cedi e não voltei a insistir, mesmo depois de me ter exaltado, de ter gritado com ele, de o ter deixado chorar a ver se parava. Cedi à vontade dele e tirei-o da cadeira da papa sem ele ter jantado.
A seguir fui tentar dar-lhe banho. Novamente berreiro, novamente gritaria e novamente ele a tentar esgueirar-se por todo o lado. Lá consegui dar-lhe banho e a seguir deitar. Novamente berreiro e fita e tudo.
Quando finalmente ele pegou no biberão e as coisas acalmaram, desatei a chorar. Chorei de descompressão, chorei por ter gritado com ele, chorei por não ter conseguido impor o respeito e mostrar quem manda lá em casa, chorei por não ter conseguido domar o meu próprio filho. Senti-me a pior mãe do mundo. Senti que não era capaz de tomar conta do recado. Senti que não estava preparada para ser mãe. Senti que não sabia educar.
Felizmente, a coisa passou. Refleti sobre como quero educar o Francisco, sobre que tipo de mãe quero ser, sobre tudo o que se passou e como quero lidar com cenas semelhantes no futuro.
Educar não é fácil. Não é. Exige muita calma, paciência, equilíbrio, clareza de espírito, assertividade, bom senso e mais calma e mais paciência.
Isto está só a começar e não vai ser pêra doce.
Já deu para perceber que vou ter momentos em que vou precisar de parar um pouco, respirar fundo, refletir e ganhar energias porque isto de educar tem muito que se lhe diga. Ai tem, tem.

2 comentários:

  1. Gostava de te dizer que isso passa, que vais aprendendo com as birras, bom, e vais, mas eles também vão ganhando resiliência e fazendo novas birras. Eu devia dizer-te que isso ainda não é nada, que quando chegares aos 3, aí é que vais ver como elas mordem, mas acho que o que precisas de ouvir agora é isto: eu percebo-te tão bem... e, sim, educar e ser mãe nestas alturas é a coisa mais difícil que já fiz. Lembro-me perfeitamente de uma vez, tinha a Inês uns 9 ou 10 meses, lhe ter gritado porque não parava quieta na muda da fralda. E ela ter desatado a chorar com o meu grito porque percebeu perfeitamente que não tinha sido um grito de amor. Foi a primeira vez que percebi o quão importante - e difícil! - é manter a calma. Vais pensar muitas vezes que és uma péssima mãe. Eu penso isso de mim vezes sem conta. Mas também é verdade que vais ganhando calo e vais aprendendo novas tácticas que vão funcionando as vezes suficientes para conseguires respirar fundo. Força aí! Não estás sozinha ;)

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