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terça-feira, 29 de julho de 2014

Conversas delicadas com os vizinhos

Ontem até me deu volta ao estômago a conversa que tive de ter com o meu vizinho de cima.
Há cerca de uma semana que o moço deve ter arranjado namorada/companhia nova e tem sido um festival sexual naquele prédio. São cavalgadas que duram horas, gritos e gemidos que se fazem ouvir por todo o prédio e camas a ranger e a bater nas paredes que parece que o prédio está em obras.
Fomos aguentado a coisa, até que de sábado para domingo até o pobre do Francisco acordou com a rambóia. Estávamos dispostos a ir lá acima dar uma palavrinha aos pombinhos, quando nos deparamos com um bilhete deixado junto às campainhas do prédio precisamente a solicitar que a malta tivesse um bocadinho de contenção durante o ato sexual, nomeadamente diminuísse o volume dos gritos e desencostasse a cama da parede. Pensamos estar safos da dita conversa constrangedora, uma vez que os vizinhos do prédio ao lado já tinham feito o aviso.
Enganei-me. O recado não chegou e de domingo para segunda o filme repetiu-se ao ponto de me voltar a acordar a mim e ao Francisco. Ontem andei zombie de sono e o dia todo a pensar como iria ter esta conversa tão constrangedora, sem ser indelicada ou parecer careta.
No fim de jantar, ganhamos coragem e lá fomos tocar à porta do vizinho de cima. Abriu-nos a porta um rapaz novo com ar totalmente descontraído e longe de imaginar a intuito da conversa.
Quebrei o gelo e fui direta ao assunto, quis ser brincalhona, dizer que é ótimo a malta andar a pinar que nem coelhos, mas que eu não sou obrigada a sentir-me a mesinha de cabeceira deles e que se querem gritar como se não houvesse amanhã que vão para a mata de Monsanto para não incomodar ninguém, vai-se a ver e a coisa ainda se torna mais excitante.
Mas não. Limitamo-nos a dar recomendações para continuarem a percorrer grandes cavalgadas sem incomodar (tanto) a vizinhança e a conversa até correu bem. Pelo menos esta noite, conseguimos dormir sem interrupções. Ufa!

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